Acompanhar o funcionamento das veias das pernas é mais importante do que muita gente imagina. Eu vejo, no consultório, pacientes que passaram anos ignorando sintomas como dor, peso, inchaço ou sensação de queimação nas pernas. E quando procuram ajuda, às vezes a doença já avançou.
A Doença Venosa Crônica (DVC) é um daqueles quadros que merecem atenção desde os primeiros sinais. É silenciosa, progressiva e pode causar impactos reais na sua qualidade de vida. Aqui, vou te explicar de forma clara o que é essa condição, como fazemos o diagnóstico e quais são as opções de tratamento indicadas para o seu caso.
O que é doença venosa crônica?
A Doença Venosa Crônica é uma condição que afeta o retorno do sangue das pernas para o coração. Isso acontece porque as válvulas das veias, que deveriam funcionar como “portas” unidirecionais, deixam de fechar corretamente.
O sangue, então, passa a se acumular nas pernas, provocando sintomas como dor, inchaço e formação de varizes.
Essa falha no sistema venoso pode ter diversas causas: predisposição genética, sedentarismo, excesso de peso, alterações hormonais e até profissões que exigem longos períodos em pé. Ao longo do tempo, sem o cuidado adequado, a DVC pode evoluir e causar complicações mais sérias, como escurecimento da pele, feridas ou tromboses.
Sintomas e sinais de alerta
Os sintomas variam de pessoa para pessoa, mas alguns sinais merecem atenção especial:
- Sensação de peso nas pernas, principalmente no fim do dia
- Inchaço nos tornozelos
- Queimação, formigamento ou câibras
- Veias dilatadas ou tortuosas (varizes visíveis)
- Manchas escuras na pele, principalmente perto dos tornozelos
- Feridas que demoram a cicatrizar
Esses sinais podem parecer pequenos incômodos no início, mas são indicativos de que a circulação já não está funcionando como deveria. Quanto antes o diagnóstico for feito, mais simples tende a ser o tratamento.
Diagnóstico e exames complementares
O diagnóstico começa com uma conversa e um exame clínico bem detalhado. Durante a consulta, analiso seu histórico, escuto seus sintomas e faço uma avaliação da circulação das pernas. Além disso, realizo o exame de Doppler venoso no próprio consultório, um ultrassom que permite visualizar em tempo real como o sangue está fluindo nas veias.
Esse exame é fundamental para entender se há refluxo, obstruções ou outras alterações importantes. Ao final da consulta, você recebe a orientação sobre o plano de acompanhamento, sem precisar de várias idas e vindas a outros lugares.
Opções de tratamento para doença venosa crônica
O tratamento da DVC depende do estágio da doença, dos sintomas e do seu perfil. A ideia é indicar a opção adequada ao seu caso, considerando o impacto na sua rotina. No meu consultório, ofereço diferentes abordagens, adaptadas à realidade de cada paciente.
Tratamento de varizes
Em muitos casos, o tratamento começa com o cuidado das varizes visíveis, que são o sinal mais evidente da DVC. Além do aspecto estético, tratar as varizes pode ajudar a aliviar os sintomas e a reduzir o risco de complicações, conforme a avaliação de cada caso.
Espuma para varizes (Escleroterapia)
Uma das técnicas mais utilizadas hoje em dia é a escleroterapia com espuma. É um procedimento rápido, feito no consultório, que usa uma substância em forma de espuma para “fechar” as veias doentes. É indicado para veias maiores ou mais profundas, e em geral o paciente pode retomar as atividades no mesmo dia, de acordo com a orientação médica.
Microcirurgia de varizes
Em situações específicas, principalmente quando há veias dilatadas com refluxo, a microcirurgia pode ser uma opção. O procedimento é feito com anestesia local e cortes mínimos, e a recuperação costuma ser rápida.
Laser vascular
O laser é indicado para vasinhos finos, superficiais e localizados, principalmente em pernas e rosto. É uma técnica que age seletivamente nos vasos, promovendo seu fechamento.
Secagem de vasinhos
A técnica de secagem de vasinhos é voltada para as telangiectasias (vasinhos vermelhos ou arroxeados), geralmente de menor calibre. É realizada com injeções delicadas e pode ser combinada com outras abordagens.
Por que avaliar cedo
Muita gente espera a doença avançar para procurar ajuda. Avaliar cedo a DVC pode trazer benefícios, conforme o caso:
- Alívio dos sintomas
- Prevenção de feridas e manchas na pele
- Redução do risco de trombose
- Orientação sobre hábitos que favorecem a circulação
- O acompanhamento precoce ajuda a avaliar a necessidade de outras condutas
Além disso, a escolha entre opções menos ou mais invasivas depende do estágio da doença.
Cuidados pós-tratamento e acompanhamento contínuo
Tratar a DVC não é um ponto final, mas sim o começo de uma nova forma de cuidar das suas pernas. Depois do tratamento, é fundamental manter hábitos que favoreçam a circulação: evitar ficar muito tempo parado, usar meias de compressão (quando indicado), manter o peso adequado e fazer acompanhamento regular.
No meu consultório, esse acompanhamento é parte essencial do cuidado. A gente ajusta o plano sempre que necessário e mantém o foco na prevenção de recaídas ou progressões da doença.
Agende sua avaliação vascular
Se você sente sintomas como dor, inchaço ou já tem histórico de varizes e quer entender como está sua circulação, marque uma consulta. No meu consultório, a avaliação é completa: conversamos, faço o exame de Doppler e já montamos um plano individualizado.
Secagem de vasinhos
A secagem de vasinhos é indicada para quem tem vasinhos visíveis nas pernas e, em alguns casos leves, também pode aliviar sintomas. A indicação depende da avaliação clínica e do contexto da saúde circulatória de cada pessoa.