Ter um acesso bem planejado é um dos primeiros passos para que o tratamento com hemodiálise seja conduzido com segurança. Como cirurgião vascular, eu acompanho pacientes desde a fase de planejamento até o acompanhamento contínuo, cuidando para que o acesso criado não só funcione bem, mas também evite complicações futuras.

O que é o acesso para hemodiálise?

O acesso para hemodiálise é uma via de entrada para que o sangue do paciente possa circular por um sistema de filtragem fora do corpo. Isso é necessário quando os rins deixam de funcionar de forma adequada, e a diálise passa a substituir essa função vital.

Existem diferentes formas de acesso, e a escolha vai depender do estágio da doença renal, das condições das veias e artérias do paciente e do tempo disponível para o preparo. Cada detalhe precisa ser considerado com muito cuidado, porque o acesso não é apenas técnico; ele impacta diretamente na qualidade de vida de quem vai depender da hemodiálise várias vezes por semana.

Quando é necessário criar o acesso?

O ideal é que o acesso seja planejado com antecedência, antes mesmo de o paciente precisar iniciar a hemodiálise. Isso permite que a fístula amadureça e esteja pronta para uso quando for necessário.

No entanto, em muitos casos, o diagnóstico é feito em fases mais avançadas, e o acesso precisa ser criado com urgência. Nestes casos, optamos por soluções que possam ser utilizadas imediatamente, mas que ainda assim sejam acompanhadas com atenção à segurança.

Sempre que possível, oriento os pacientes a conversar com o nefrologista e procurar avaliação vascular assim que a função renal começar a declinar. O planejamento do acesso faz parte da avaliação antes do procedimento.

Tipos de acesso para hemodiálise

Existem três tipos principais de acesso para hemodiálise. Cada um tem indicações específicas, vantagens e limitações. A escolha deve sempre ser feita de forma individualizada, levando em conta o que é mais adequado para cada paciente.

Fístula arteriovenosa

A fístula costuma ser indicada quando as veias do paciente permitem, e a escolha do acesso é definida na avaliação clínica. A fístula é feita unindo uma artéria a uma veia, normalmente no braço. Com o tempo, essa veia se torna mais calibrosa e resistente para receber as punções da hemodiálise.

Geralmente, leva algumas semanas até que a fístula esteja pronta para uso. Durante esse tempo, é essencial evitar traumas no local, medir a pressão no braço oposto e seguir todos os cuidados orientados.

Cateter venoso central

Indicado quando é necessário iniciar a hemodiálise imediatamente, o cateter é inserido em uma veia central, como a jugular ou subclávia. Pode ser temporário ou tunelizado (de longa permanência), e exige cuidados rigorosos para evitar infecções.

Embora permita iniciar o tratamento rapidamente, o cateter costuma ser indicado por períodos mais curtos, conforme a avaliação clínica. Por isso, mesmo quando utilizamos esse recurso, o ideal é planejar a criação de uma fístula em paralelo.

Graft (prótese)

Quando as veias do paciente não são adequadas para uma fístula, utilizamos um enxerto sintético, chamado de graft. Ele conecta uma artéria a uma veia e pode ser utilizado em menos tempo que a fístula tradicional.

O enxerto tem boa durabilidade e é uma alternativa segura para pacientes com acesso venoso difícil. Assim como a fístula, requer cuidados contínuos para evitar obstruções ou infecções.

Benefícios de ter um acesso bem planejado

Criar o acesso adequado, no momento certo e com técnica apropriada, ajuda a reduzir as complicações durante o tratamento. Um acesso bem planejado busca:

  • Um fluxo sanguíneo adequado para a diálise;
  • Menor risco de infecções;
  • Menos internações e trocas de acesso;
  • Boa qualidade da filtragem do sangue;
  • Maior vida útil do acesso e menos procedimentos repetidos.

Além disso, um acesso bem indicado pode facilitar a rotina do paciente e reduzir desconfortos durante a punção.

Cuidados pós-procedimento e manutenção

Depois da criação do acesso, o acompanhamento é tão importante quanto o procedimento em si. Realizo revisões periódicas para verificar se a fístula está amadurecendo bem, se há sinais de estenose (estreitamento) ou qualquer outro problema que possa interferir na hemodiálise.

Algumas orientações que passo aos meus pacientes:

  • Evitar carregar peso com o braço do acesso;
  • Não dormir sobre o braço com fístula ou enxerto;
  • Observar sinais de infecção ou sangramento;
  • Relatar qualquer dificuldade na punção ao centro de diálise;
  • Fazer avaliações regulares com Doppler, quando indicado.

Nosso foco é preservar o acesso pelo maior tempo possível e manter o paciente com qualidade de vida.

Agende sua avaliação vascular

Se você está em preparação para hemodiálise, ou se já está em tratamento e precisa avaliar seu acesso, fico à disposição para ajudar. Uma avaliação detalhada permite acompanhar o funcionamento do acesso ao longo do tempo e identificar problemas cedo.

Perguntas Frequentes

É uma conexão feita cirurgicamente entre uma artéria e uma veia, que permite um fluxo de sangue mais forte e constante. Essa veia se torna adequada para as punções da hemodiálise. A indicação depende da avaliação clínica de cada paciente.

Sempre que possível, a fístula arteriovenosa é a primeira escolha. No entanto, a decisão depende da avaliação clínica e do exame físico. Em alguns casos, o enxerto ou o cateter podem ser mais indicados.

Evite traumas no local, mantenha a higiene, não use roupas apertadas sobre a fístula, observe sinais de infecção e faça avaliações regulares com seu cirurgião vascular. Em caso de qualquer alteração, procure assistência imediatamente.

A duração varia de pessoa para pessoa. Depende do tipo de acesso, dos cuidados no dia a dia e do acompanhamento regular com o cirurgião vascular. Cateteres e enxertos costumam ter durabilidade menor que a fístula, e cada caso é avaliado individualmente.