Cirurgia de varizes: quando é indicada e como é a recuperação
Postado em: 22/09/2026
Quase toda paciente que senta na minha frente para falar de varizes já digitou a palavra cirurgia no celular antes de chegar.
E chega com duas perguntas: será que o meu caso é de operar, e quanto tempo eu vou ficar parada depois. São perguntas justas, e nenhuma delas tem resposta única.
Vou explicar como essa decisão acontece na prática, o que eu avalio antes de indicar o procedimento e o que costuma acontecer com a perna nas semanas seguintes.
Não existe fórmula pronta: o que define o caminho é o que a veia mostra no exame, não o tamanho da veia que aparece na pele.
Toda variz precisa de cirurgia?
Não. A cirurgia de varizes é indicada quando as veias de maior calibre perdem a função das válvulas e o sangue passa a retornar, quadro que os procedimentos de consultório não alcançam.
Veias finas, vasinhos e casos iniciais costumam responder a tratamento sem centro cirúrgico. Quem decide é o ultrassom Doppler, não a aparência da perna.
Na primeira consulta eu converso sobre as queixas, examino as pernas e faço o ultrassom Doppler que investiga a circulação das pernas ali mesmo, no consultório.
É esse exame que mostra quais veias estão com refluxo, qual o calibre delas e até onde o problema desceu. Muita gente sai daquela consulta com o diagnóstico fechado no mesmo dia.
Quando o Doppler mostra alteração restrita a vasos superficiais, eu costumo ficar no consultório mesmo, com escleroterapia com espuma, glicose ou laser transdérmico. Quando o refluxo está na safena ou em tributárias calibrosas, aí sim a conversa vira cirúrgica.
Como é feita a cirurgia de varizes?
A cirurgia de varizes hoje é feita por técnicas minimamente invasivas: ablação da veia doente por laser endovenoso ou radiofrequência, com cateter dentro do vaso, ou retirada segmentar por microincisões.
A escolha depende do calibre da veia, do trajeto dela e do que o mapeamento venoso apontou antes.
A Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular descreve essas técnicas e registra que, na maioria dos casos, a internação é de um dia, com procedimentos de menor porte podendo ser feitos em regime ambulatorial. Nada disso apaga a necessidade de avaliação individual: cada perna tem um mapa.
Uma dúvida que aparece sempre: retirar a veia não prejudica a circulação. A veia que entra na cirurgia é a que já não está trabalhando, e o sangue passa a circular pelas veias saudáveis, que são a maioria.
Se você quiser entender o passo anterior a essa decisão, escrevi sobre quando a cirurgia vascular na perna passa a ser necessária, num recorte mais amplo, que inclui causas arteriais e feridas.
Como fica a perna depois da cirurgia de varizes?
Depois da cirurgia de varizes é comum a perna apresentar manchas roxas, inchaço e sensação de repuxamento no trajeto das veias tratadas, sinais que costumam regredir ao longo de algumas semanas. Eu explico isso antes, porque quem não sabe o que esperar se assusta no terceiro dia.
O pós-operatório que eu oriento envolve meia elástica, caminhadas curtas desde o primeiro dia, elevação das pernas nos períodos de descanso e a medicação prescrita para dor e inchaço.
Movimento leve ajuda, repouso absoluto não. O retorno ao trabalho, em geral, acontece antes do que a paciente imagina, e depende do tipo de atividade e da extensão do que foi tratado.
Prazo cravado eu não dou, e desconfie de quem dá. O que eu faço é reavaliar no retorno, com o Doppler quando necessário, e ajustar as orientações ao que a perna está mostrando naquele momento.
A cirurgia resolve os vasinhos das pernas?
Não resolve. A cirurgia trata as veias de maior calibre com refluxo, e os vasinhos finos permanecem, porque eles são tratados por outra via, no consultório, em sessões de escleroterapia ou laser transdérmico. É a expectativa que mais precisa ser ajustada antes do procedimento.
A ordem que costuma fazer sentido é essa mesma: primeiro se corrige a causa do refluxo, depois se trata o que ficou aparente. Fazer o inverso costuma significar repetir sessão atrás de sessão num vaso que continua sendo alimentado por uma veia doente mais acima. Vale investigar antes de tratar.
Preciso esperar a variz doer para procurar o vascular?
Não precisa esperar doer. Escurecimento da pele no tornozelo, inchaço que não cede pela manhã, endurecimento ao longo de uma veia, sangramento de uma variz ou ferida que não fecha são sinais de avaliação sem adiar. Dor forte e súbita numa perna, com inchaço e calor, é caso de procurar atendimento no mesmo dia.
Fora desses sinais, a avaliação é tranquila e vale pela informação. A frase que eu mais escuto no consultório é queria ter vindo antes, quase sempre de quem passou anos achando que peso nas pernas era da idade ou do trabalho.
Na consulta a gente já consegue ver o que está acontecendo, e daí a decisão fica mais simples para os dois lados.
Perguntas frequentes sobre cirurgia de varizes
Quanto tempo de repouso é necessário?
Repouso absoluto não faz parte da orientação. Caminhadas curtas costumam ser estimuladas já no primeiro dia, com elevação das pernas nos intervalos. O tempo de afastamento das atividades varia conforme a extensão do que foi tratado e o tipo de trabalho, e é definido no retorno.
O procedimento é feito com anestesia geral?
Depende da técnica e da extensão. Parte dos casos é conduzida com anestesia regional ou sedação, e procedimentos menores podem ser feitos com anestesia local. A definição sai da avaliação pré-operatória, junto com a equipe de anestesia.
As varizes podem voltar depois da cirurgia?
Podem surgir novas veias com o tempo, porque a predisposição venosa continua existindo. Por isso eu mantenho acompanhamento periódico, com Doppler quando indicado, e reforço as medidas que ajudam a controlar a progressão, como atividade física regular e uso da meia elástica quando prescrita.
Avaliação com o Dr. Arthur Baston
Atendo em consultório próprio na Vila Mariana, em São Paulo, com o ultrassom Doppler já incluído na primeira consulta, além dos recursos para tratamento de vasos no mesmo local.
Para pacientes de outras regiões, faço avaliação inicial por telemedicina, com revisão do histórico e dos exames já realizados.
Dr. Arthur Baston, cirurgião vascular e endovascular, CRM-SP 176613, RQE 90420. Para agendar uma avaliação das suas pernas, fale comigo pelo WhatsApp do consultório ou conheça as condições vasculares que eu acompanho no consultório.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica.
Dr. Arthur Baston, MÉDICO
Cirurgião vascular
Registro CRM-SP 176613 | RQE 90420
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